Deve ser duas da manhã. São. Acabou de soar as badaladas do sino da Igreja Matriz, aqui no Centro.
Estou no meu laptop agora, sentado no canto esquerdo da cama, onde sempre gostei de dormir. O frio e o silêncio lá fora gera uma série de pensamentos, sobre mim, sobre este lugar, que vem e que voltam a todo o instante seja lá o que eu esteja fazendo, em qualquer momento. Mas principalmente agora, durante a madrugada.
A fome ataca meu estômago. Mas não sei se quero comer. De fato, estou me alimentando super mal desde que me mudei. Meus dentes estão cada vez mais amarelados. Chego a me assustar. Chego a pensar até que isto tudo não está me fazendo bem. Algo me diz que assim que o contrato do aluguel acabar, irei voltar pra casa dos meus pais. Como a Maitê comentou em outra postagem, talvez o “encanto” de eu morar sozinho esteja acabando. Não vou acabar com o blog. Muito longe disso. É que as vezes a gente pára e pensa no que estamos fazendo da nossa vida.
Eu queria mesmo é que essa maldita conjutivite passasse. Estou de saco cheio.
Quero voltar a trabalhar. Falo isso porque, trabalhando ou não, vivo correndo. E me pergunto: o que está errado? O que estou fazendo de errado? Não é que as coisas não estão dando certo. Estão sim. Num ritmo lento, mas estão.
Acho que estou é noiado. Essa é a verdade. Estou meio que sofrendo sem Internet aqui, tendo que ir na casa de meus pais porque a porra da UNIVALI bloqueia acesso a blogs, fotologs, Orkut, MSN, ICQ. Isso é que é exemplo de universidade, que de acordo com o último mote que me lembro: “um MUNDO de conhecimento”.
Mas não estou reclamando! Estou só dizendo que estou me sentindo estranho. Querendo outras coisas sem nem conseguir resolver o que de fato eu preciso resolver. Talvez seja preciso passar por essas coisas. Aprender! Mas é que chega uma hora que você e nem mais ninguém tem paciência o suficiente para esperar, errar, gastar dinheiro, se comprometer com coisas que não pode cumprir, e, por fim, aprender.
Pode parecer que o problema seja dinheiro. Mas acredite, não é. Ainda penso que o mais problemático é que de fato (adoro essa expressão) ainda não consegui organizar minha cabeça. Conseqüentemente, minha mente ainda está fora de órbita. Como assim? Quero tantas coisas que não sei por onde começar. Está sendo muito fácil me perder em algumas tarefas que a princípio seriam simples e sem complicações. O verdadeiro problema está exatamente nisso: a quantidade que quero. Não consegue ver um exemplo? Bom, o estúdio (sim, moro em um estúdio, com sala, cozinha e quarto em um lugar só, apenas o ban*eiro separado – mas e daí? O Eminem não morava em um treiler?) está completamente escuro. O que ilumina em meu alcance é a luz do monitor do laptop, mas acho que posso fazer uma lista de pequenas coisas que eu gostaria de resolver. Preparado (a)? Anota aí.
PRECISO
- De um gaveteiro de plástico. Se possível, igual ao que tenho ao meu lado esquerdo.
- Arrumar cortinas de Gente (repare o G maiúsculo), com blackout. É um saco você reparar e notar que quem está na rua consegue enxergar tudo o que faço quando a luz está acesa.
- De uma banqueta ou algo para sentar. De preferência que tenha rodas, que dê para arrastar. Certo, vi um perfeito em uma loja aqui perto, de couro branco. Só não perguntei o preço porque estava voltando do supermercado, e com um pouco de pressa. Mas branco é foda porque suja fácil... Um banco alto não seria nada mal também. Sempre é útil.
- De um espelho na medida correta (ainda preciso medir aquela merda) para colocar no armarinho do banheiro. Aquele espelho está lastimável.
- Dois painéis de tamanho de correr para separar o ambiente cozinha/sala do quarto. Mas preciso de tempo (e saúde) pra chamar o Alejandro aqui e conversar com ele. Tenho três cores básicas para trabalhar: branco, azul e verde. Uma neutra, duas frias. Esta idéia do painel ainda não me convenceu totalmente. Tenho medo que só me traga dor de cabeça no verão, já que aqui é úmido. Pressuponho que você saiba que qualquer lugar úmido faz a sensação térmica elevar ou diminuir, vide o próximo ítem.
- Arrumar um jeito de esquentar o apartamento. Isso aqui no inverno vira um freezer. E com vento grátis!
- Internet! Como estou vivendo sem Internet aqui?
Só que antes de isso tudo, preciso me organizar nas contas. Até comecei a fazer isso, mas na boa: não existe maior pentelhação do que ficar anotando tudo. Tento me organizar com base nas coisas que tenho na cabeça e manter meus gastos balanceando como posso. Se um mês a conta de luz (administrativamente falando, uma despesa variável) veio R$ 25, posso gastar um pouco mais no supermercado (outra despesa variável) e me dar o luxo de comprar algumas coisas além do essencial, que já é escolhido a dedo.
O que estou pra começar a fazer é anotar as coisas que preciso fazer no dia. Não no laptop, não no blog, mas no papel e caneta mesmo, na unha. Estou percebendo que na maioria das vezes eu simplesmente esqueço o que preciso fazer. Alzheimer avançando aos 26? Não pode ser.
Não sei se quem vier aqui irá ler este post inteiro. Essa não é bem a minha preocupação. Minha preocupação é que essa vida de correria sem resolver nada não acabe nunca. E lá vou eu, pensando na madrugada, lavar meus olhos com soro fisiológico, comer algumas bolachas e, se Deus assim quiser, dormir em paz.
O sino da Igreja volta a soar... 2:30 da manhã.